As revelações contidas no livro, Holocausto Brasileiro, apesar de já terem sido noticiadas pela imprensa brasileira,
para mim soaram como novidade. Jamais ouvira falar de tal situação em nosso
país.
Segundo relata a autora, Daniela Arbex, cerca de 70% dos internos não
tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras,
homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda
para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões,
esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de
fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que
haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33
eram crianças.
Durante a leitura não parei de me questionar: quem seriam
aquelas pessoas agrupadas no maior hospício do Brasil, na cidade mineira de
Barbacena? Por que tantas pessoas de diversas partes do Brasil eram conduzidas
à Barbacena onde eram aprisionadas e até mortas, sem que a sociedade, o governo
e mesmo os médicos e enfermeiros denunciassem e, mesmo após denúncias de
revistas de destaque, como - O Cruzeiro - tudo permaneceu da mesma forma por
décadas?
A lógica reencarnacionista prevaleceu como a explicação mais
coerente, de vez que, Deus não é injusto e jamais permitiria que nenhum de seus
filhos sofresse injustamente.
Disse Jesus: “É necessário que o escândalo venha, mas, ai de
por quem ele vier”, deixando claro que situações tais, que seriam motivo de dor
e escândalo, seriam necessárias na vida de seres humanos em expiações dolorosas,
mas que, seriam responsáveis todos aqueles que promovessem o escândalo. Seriam
punidos severamente.
No cenário que se desenha em minha mente, ali se reuniram e
para lá foram atraídos, espíritos em resgates coletivos, de certo com
comprometimentos em ações realizadas no passado. Não conheço o passado
histórico daquela região, mas, creio ter havido ações conjuntas que criaram
esse carma coletivo e no momento propício, a lei de ação e reação reuniu no
mesmo cenário, as consciências endividadas, para o aprendizado necessário. Dessa
forma, por ali transitaram milhares de seres que sofreram o isolamento, o
abandono, o total descaso de uma sociedade, até que, soado o término da
expiação, surgiram pessoas comprometidas com a dignidade dos que lá se encontravam. A
partir de então, o Colônia, como era chamado o maior hospício do Brasil, deixou
de receber internos e cessará suas atividades logo que o último interno que lá
se encontre, desencarne.
Homens e mulheres eram mantidos nus. Foto: Luiz Alfredo (1961)
Esgoto a céu aberto era fonte de água para internos. Foto: Luiz Alfredo (1961)
Sivio Savat, ex-menino de Barbacena, fotografado em 1979, confundido com um cadáver. Foto: Napoleão Xavier Gontijo Coelho
Internos vestiam trapos, mesmo no frio intenso de Barbacena. Foto: Luiz Alfredo (1961)
Revela cenário de horror de Hospital Colônia. Foto: Luiz Alfredo (1961)
Fotos: http://entrepaginasesonhos.blogspot.com.br
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