O GRANDE ANÔNIMO
DEUS – que é isto?
DEUS - quem és tu?
Mil nomes te hei dado – e até hoje és para mim o grande anônimo...
Sei que és o Eterno, o Onipotente, o Onisciente. O infinitamente Bom e Formoso
- mas sei também que és muito mais que tudo isto...
E, por seres indefinível, resolvi chamar-te simplesmente “o grande Anônimo”.
Assim, se não acerto em dizer o que és, pelo menos não digo o que não és.
Antes do princípio dos princípios, existias tu, o Eterno...
Paralelo a todos os tempos e espaços, existes tu, o Onipresente...
Tu és o único ser auto-existente por meio dos seres alo-existentes...
Tu és o único produtor não produzido, a causa única não causada, o único pai sem filiação...
Eu sou uma feliz exceção do Nada - tu és a mais veemente afirmação do Tudo.
Eu semi-existo - porque tu pleni-existes...
Eu existo, porque me deste o ser - tu és em virtude da tua própria essência.
Eu poderia não existir, e houve infinitas eternidades em que este átomo humano não existia - tu não podes deixar de ser; tu és com absoluta necessidade.
Contemplo a mim mesmo, e com imensa estupefação verifico que existo - quando era tão bem possível, e até muito mais verossímil, a minha não-existência.
Como é possível que eu exista - quando em torno de mim negrejam imensos abismos de inexistência?
Como foi que esta pequenina ilha do Ser emergiu do tenebroso oceano do Não-ser?
E como é que este minúsculo átomo de Algo ser equilibra nos ilimitados espaços do Nada?
Não me creasse, ó Eterno, o teu poder; não me sustentasse o teu amor - e é certo que o meu Ser nunca teria surgido da tétrica noite do Não-ser, ou nela teria recaído logo na alvorada da minha existência.
Por ti, o meu Nada se tornou Algo...
Por ti, a minha noite se tornou dia...
Por ti, o meu vácuo se fez plenitude...
Por isto, meu eterno e indefinível Anônimo, sinto-me feliz em integrar a pobre gotinha do meu pequenino Eu humano no mar imenso do teu grande Tu divino.
Eu quero fé - uma fé prodigiosa, capaz de encher integralmente os grandes vácuos que estão dentro do meu ser...
Eu quero alegria - muita alegria, para esconder sob a plenitude dela a amargura que encontro sempre no fundo das minhas taças...
Eu quero a tua graça - a graça inefável de guardar-te, por entre as sombras da vida, um amor vigilante e sereno que não tenha medo da tua cruz...
Eu quero a ti mesmo - ó Ser anônimo de mil nomes, porque sem ti me é insuportável o próprio Eu...
(De Alma para Alma, de Huberto Rohden)
E, por seres indefinível, resolvi chamar-te simplesmente “o grande Anônimo”.
Assim, se não acerto em dizer o que és, pelo menos não digo o que não és.
Antes do princípio dos princípios, existias tu, o Eterno...
Paralelo a todos os tempos e espaços, existes tu, o Onipresente...
Tu és o único ser auto-existente por meio dos seres alo-existentes...
Tu és o único produtor não produzido, a causa única não causada, o único pai sem filiação...
Eu sou uma feliz exceção do Nada - tu és a mais veemente afirmação do Tudo.
Eu semi-existo - porque tu pleni-existes...
Eu existo, porque me deste o ser - tu és em virtude da tua própria essência.
Eu poderia não existir, e houve infinitas eternidades em que este átomo humano não existia - tu não podes deixar de ser; tu és com absoluta necessidade.
Contemplo a mim mesmo, e com imensa estupefação verifico que existo - quando era tão bem possível, e até muito mais verossímil, a minha não-existência.
Como é possível que eu exista - quando em torno de mim negrejam imensos abismos de inexistência?
Como foi que esta pequenina ilha do Ser emergiu do tenebroso oceano do Não-ser?
E como é que este minúsculo átomo de Algo ser equilibra nos ilimitados espaços do Nada?
Não me creasse, ó Eterno, o teu poder; não me sustentasse o teu amor - e é certo que o meu Ser nunca teria surgido da tétrica noite do Não-ser, ou nela teria recaído logo na alvorada da minha existência.
Por ti, o meu Nada se tornou Algo...
Por ti, a minha noite se tornou dia...
Por ti, o meu vácuo se fez plenitude...
Por isto, meu eterno e indefinível Anônimo, sinto-me feliz em integrar a pobre gotinha do meu pequenino Eu humano no mar imenso do teu grande Tu divino.
Eu quero fé - uma fé prodigiosa, capaz de encher integralmente os grandes vácuos que estão dentro do meu ser...
Eu quero alegria - muita alegria, para esconder sob a plenitude dela a amargura que encontro sempre no fundo das minhas taças...
Eu quero a tua graça - a graça inefável de guardar-te, por entre as sombras da vida, um amor vigilante e sereno que não tenha medo da tua cruz...
Eu quero a ti mesmo - ó Ser anônimo de mil nomes, porque sem ti me é insuportável o próprio Eu...
(De Alma para Alma, de Huberto Rohden)

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