Como o perdão cura?
Escolhi falar sobre o perdão, por considerar um dos aprendizados mais difíceis da criatura humana. A começar que, a necessidade do perdão só existe porque aconteceu uma agressão, que pode ter sido leve ou grave, mas que gerou a mágoa, que se transformou em ressentimento, que se transformou em ódio, que se transformou em desejo de vingança...
O grave em tudo isso é que, sofremos por agasalhar esses sentimentos em nossa intimidade. E pior, negamos que estamos magoados. E com isso adoecemos. A ciência moderna já confirma que recordações doentias de ódio e vingança, mantidas a longo prazo, resultam em doenças crônicas.
Jesus, o Mestre por excelência, há mais de dois mil anos, traçou o nosso roteiro de libertação através da prática do perdão, nos ensinando a não guardar sentimentos negativos. “Não te digo que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.” Apesar dessa orientação de Jesus, a dificuldade de perdoar, persiste. E os males se intensificam.
As descobertas da medicina e os estudos da psicologia, atestam a importância do “Perdão” na melhoria da saúde.
Conforme relado de Fred Luskin, diretor do Projeto do Perdão da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. “Perdoar ajuda a barrar o desenvolvimento de problemas cardíacos e reduz os índices de câncer e outras doenças ligadas aos sentimentos negativos.”
Deepak Chopra, médico indiano no livro - A Cura Quântica, esclarece como o perdão cura:
“Quando temos um ressentimento ou uma mágoa, ou sentimos hostilidade contra alguém, ou alguma emoção tóxica: culpa, depressão, medo... lançamos no sistema cardiovascular e também no sistema imunológico, hormônios como adrenalina e cortisona e ficamos comprometidos imunologicamente. Até mesmo nossas plaquetas ficam tensas, com altos níveis de adrenalina e começam a criar coagulação sanguínea que podem levar a doenças cardiovasculares, ataques do coração e derrames.”
“Quando perdoamos, tudo se acalma. Os hormônios que estão associados com as respostas estressadas se acalmam. Hoje é evidencia que lançamos outros tipos de neurotransmissores que são moderadores imunológicos e nosso corpo começa a voltar a homeostase (propriedade de manter as condições internas estáveis e ideais para o metabolismo) que é auto-regulação e auto cura. Nossos hormônios, nossa bioquímica, açúcar no sangue, temperatura do corpo e centenas de parâmetros também voltam à origem. É dessa maneira que o perdão cura.”
Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar, nos ensina a doutrina espírita:
Uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter;
A segunda é a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a toda gente: vede como sou generoso!
Chico Xavier recomendava: “Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente. Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhe são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.”
O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede.


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