A quantas anda a nossa honestidade?

Recebi no final da tarde no meu local de trabalho, a visita do Sr. Joseph, acompanhado de sua esposa, ambos recém-chegados de uma temporada na Alemanha. O Sr. Joseph colaborou por um período com artigos sobre a cidade de Parnaíba para o Proparnaiba.com e sua ausência foi sentida por alguns leitores, que perguntaram: Por onde anda o Joseph?

Em conversa descontraída, ouvi uma narrativa interessante sobre a postura das pessoas na Alemanha. Segundo Joseph, existe na região em que se encontrava um campo de flores tipo uma floricultura ao ar livre, onde as pessoas se servem à vontade escolhendo o tipo de flores e a quantidade que deseja levar. Num local determinado, o cliente encontra uma caixinha para depositar o valor correspondente à aquisição e ferramentas que possibilitem a retirada do objeto de desejo. Não existem funcionários ou seguranças e tudo transcorre em clima de tranquilidade sem que nenhum dano ocorra à propriedade.

Fiquei a imaginar a cena no Brasil e de imediato me veio à mente o já comum aviso, que nos habituamos a ler nas grandes e médias empresas: “Sorria, você está sendo filmado”. Em outras palavras, “não cometa a tolice de levar nada sem pagar, pois, estamos de olho em você”.

É claro que existe em nossa sociedade muitas pessoas com equilíbrio e moralidade para conviver e poder usufruir de ambientes como o citado. O que não podemos negar é que, ambientes tais seriam depredados, lesados, destruídos por pessoas que, ainda, não aprenderam o real sentido da honestidade e da responsabilidade.

Infelizmente, o cenário em que vivemos na atualidade é assustador. A cada dia surgem novas práticas de violência e agressão ao ser humano, causando o temor e a desconfiança nas criaturas. As residências foram transformadas em verdadeiras fortalezas. Dentro dos comércios, o simples fato de alguém esquecer e adentrar o estabelecimento com um capacete na cabeça, já causa pânico em face das práticas de assaltos realizados. Nossas crianças já não podem transitar livremente portando qualquer objeto de valor, com riscos à própria vida. A cada dia ficamos mais desconfiados e precavidos. É o ser humano com medo de outro ser humano.

Creio que no atual cenário, ninguém em sã consciência, ousaria criar tal empreendimento no Brasil. Ou será que estou enganada?

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