Perdoar barra doenças e proporciona uma sensação de paz
Uma técnica havaiana, chamada oponopono, que significa "amar a si
mesmo", prega a cura interior antes de trabalhar o que está fora. Em
outras palavras: à medida que você se cuida, seu mundo se modifica para
melhor. Segundo o escritor e arquiteto Carlos Solano, essa técnica,
usada para fazer prosperar a condição da casa, também pode ser adotada
em prol dos relacionamentos amorosos, familiares e profissionais. "Eu
sinto muito, eu te amo" é um dos mantras do oponopono, uma amorosa forma
de dizer perdão. "Acho que o fato de perdoar, seja um acontecimento,
seja uma pessoa, afeta a estrutura inteira de sua vida. Tanto faz
escolher perdoar-se primeiro ou a outra pessoa. O que conta é entrar na
frequência do perdão, que libera o peso do passado e abre caminhos",
afirma Solano.
Perdoar, afinal, não remete apenas ao outro, mas,
primeiro, a si mesmo. E isso, acredite, faz um bem danado: para a saúde
do corpo, para o bem-estar da alma, para os relacionamentos e é uma
habilidade que pode ser aprendida e praticada por qualquer um por meio
dos mantras do oponopono ou até por exercícios de autoanálise.
O
perdão ajuda você a ter controle sobre seus sentimentos, é uma
habilidade que pode ser aprendida e praticada em sua rotina. Isso
significa tolerar o motorista que deu aquela fechada no trânsito,
desculpar a atendente da loja pelo mau humor, se perdoar por sentimentos
negativos, ações incorretas e histórias passadas.
O bem que faz para a saúde
Segundo
o especialista Fred Luskin, perdoar ajuda a barrar o desenvolvimento de
problemas cardíacos e reduz os índices de câncer e outras doenças
ligadas aos sentimentos negativos. Além disso, traz o delicioso
sentimento de paz. "Paz na mente, no corpo e no espírito. Há um grande
alívio por não precisar guardar mais ressentimentos, rancores e mágoas.
No início da prática, a paz surge em pequenas ondas, mas, com o tempo,
vai tornando a pessoa mais forte, mais calma e capaz de enfrentar
outras dificuldades", afirma.
Luskin ensina seu método. Ele
mostra, por exemplo, que precisamos aprender, primeiro, a desculpar as
pequenas atitudes do dia-a-dia. As coisinhas que incomodam, como o fato
de o seu parceiro ter esquecido de levar o cachorro para passear. Outros
pontos em que o psicólogo americano toca: cada um de nós deve
reconhecer que ninguém é perfeito - inclusive a gente mesmo -, aceitar o
que não podemos mudar e ter paciência consigo. O pesquisador já
exercitou o método de trabalho com casais, jovens e profissionais de
empresas. Uma de suas experiências mais marcantes foi um projeto
realizado na Irlanda do Norte com famílias que perderam os filhos por
causa da violência política e religiosa. "Ao conseguir perdoar os
assassinos de seus filhos, as mães deixaram a depressão e o pessimismo,
adquirindo força para lidar com isso", conta.
Para o teólogo
Francisco Catão, escritor e professor de teologia do Centro
Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), existem duas categorias
de pessoas quando o assunto é perdoar: as que entendem o perdão e as que
não entendem. "Essa atitude é a caixa-preta da paz", afirma. E, assim
como as teorias de Luskin e a técnica havaiana do oponopono, o teólogo
Catão acredita que o ato de perdoar possibilita um grande aprendizado -
sobre o outro e sobre si próprio - e coloca as relações humanas em outro
patamar: "É o nível do amor, o que falta na humanidade hoje", finaliza.
Então, que tal começar o ano treinando o perdoar? Quem mais ganha com
isso é você.
Por que é tão difícil perdoar?
Para
a neuropsicóloga e terapeuta cognitiva Maria Carla da Silva, existe a
dificuldade de perdoar porque as pessoas confundem o perdão com uma
demonstração de fraqueza, quando ele é justamente o contrário: sinal de
força de caráter, altruísmo e amor à vida. "É uma alforria da dor e
existe em três dimensões temporais. Quando você perdoa, liberta o
passado, ocupa o presente da maneira certa e vê esperança no futuro. O
perdão permite nos reconciliar não só com as pessoas mas também com a
própria vida", diz Maria Carla. No campo neurológico, ela explica que o
perdão equivale a um banho de vida, já que o sistema límbico é
favorecido. "As memórias negativas se apagam e o cérebro e todo o
organismo são recompensados porque ficam livres de um fardo energético."

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