Quando o passado quer se fazer presente
Das lembranças que tenho, ele era muito ciumento conosco. Não nos permitia amizades com o sexo oposto, muito menos sair para divertimentos. Claro que estamos falando de 1969, século passado.
Meu pai era caminhoneiro e viajava muito. Nessas oportunidades nos permitíamos receber os amigos e paqueras às portas de casa, para conversarmos. Inúmeras vezes, fomos surpreendidas pela chegada inesperada, pois ele saia para viajar e voltava à noite para nos pegar em flagrante. Nessas horas, todos se dispersavam, pois já sabíamos que haveria castigo para nós, e bronca em mamãe, que permitia esse tipo de liberdade.
Lembro que forcei a barra me matriculando num colégio noturno, só porque a farda era calça jeans. Ele ficou muito zangado, mas terminou aceitando e me dando o dinheiro para comprar a farda, ficando muito irritado quando viu que a farda era uma calça comprida.
Certa vez, fui em busca de trabalho e consegui, só que, como era menor, precisava da autorização do pai e ele negou dizendo: “enquanto for vivo, filha minha não trabalha”. Alguns anos depois, ele abandonou a família e passamos por sérias dificuldades.
Apesar de ter nascido em situação de vulnerabilidade, ele sempre se esforçou para superar suas deficiências. Lembro de algum conforto em casa, viagens, mas lembro também que não havia uma relação de respeito e companheirismo com minha mãe e, isso me incomodava muito. Razão porque estávamos em constante conflito.
Infelizmente, estas foram as lembranças que despertaram comigo esta manhã, deixando claro que estas lembranças ainda estão adormecidas em mim, embora já não me cause tristeza relembrar.


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