Saudades daí, mas, aqui tá melhor.
Participando da atividade do Grupo Enxugando Lágrimas (atividade em que cartas são psicografadas), que
se realiza aos sábados no Centro Espírita Semente Cristã, fui surpreendida por
uma correspondência endereçada a minha pessoa, por uma vizinha já
desencarnada há mais de 25 anos.
Pelo ano de 1986 ou 1987, não tenho bem certeza, iniciamos a
construção de uma casa na Rua Prudente de Morais, 576 em Parnaíba e ao lado da residência
em construção, uma moradora muito simpática, sempre nos recebia com um café
quentinho e à sombra das árvores do seu quintal, ficávamos horas conversando
sobre a vida e a expectativa da nova morada. Pouco tempo depois, mudamos para a
nova casa e estreitamos a convivência. Dona Cotinha, assim se chamava a minha
vizinha, costumava nos surpreender com algumas guloseimas preparadas por ela e,
quando nada tinha para dar, uma tijelinha de sirigüela ou cajá nos era
ofertada.
Dona Cotinha morava sozinha e à tarde tinha o hábito de sair
para assistir a missa. Era católica fervorosa. Certo dia partiu para a pátria
espiritual.
A surpresa veio em forma de carta, em que fala da sua
alegria e felicidade pela oportunidade de estar se comunicando e faz referência
ao tempo em que foi nossa vizinha. Veja a carta na íntegra!
Que a graça do Senhor
Jesus Cristo esteja aqui hoje.
Muito obrigado meu Pai
pela oportunidade de tá aqui falando. Tanto tempo sem ter esse merecimento.
A menina que hoje falo
não reconheço (refere-se a médium que psicografou a carta), dizem que era minha vizinha. Me lembro da família quando ela era
criança. Ajudei muito as pessoas que moravam ali naquela rua, era deserta
quando cheguei, mas, tinha uns parentes vizinhos que me aconchegavam a solidão.
Com o tempo foi se povoando tudo, quando você chegou lá, minha filha, já estava
lotada aquela rua.
Eu vivia só nos meus
afazeres, eram tantos. Mas os anos se passaram, hoje estou aqui feliz, faço
minhas atividades, tem um monte de velhinhos que nem eu para me acompanhar.
Hoje visto um vestido preto cheio de margaridas pequenas, cabelo arrumado num
coque, sandália preta, tô bonita, adoro passear assim, me faz bem. Agora, daqui
vou a uma missa com outras pessoas em um lugar lindo, com gramado e muita
planta, céu aberto.
Só queria dizer que tô
muito feliz aqui. Lembro de todos vocês. Saudades daí, mas, aqui tá melhor.
Fale prá sua mãe.
Cotinha.

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